Como distinguir canarios de cor Lipocromicos e Melânicos?

Opiniões e ideias experientes

Como distinguir canarios de cor Lipocromicos e Melânicos?

Mensagempor Armando Moreira » domingo, 23/mar/2008, 02:05

:D ola a Todos!


As designações usadas na identificação dos canários de cor, foi para mim até a pouco tempo um enigma. Agata, Isabel, Satinê, Onix era tudo muito confuso, nem sabia por que ponta lhe pegar. Face a este problema para mim complicado o que eu fiz foi dividir o problema em partes mais elementares e tentar entender essas partes.

Sei que neste fórum existem pessoas mais qualificadas e com mais pratica neste assunto. Se calhar fariam uma abordagem diferente, explicariam melhor. O que vou partilhar convosco é uma série de noções básicas e teóricas sobre o aspecto da cor dos canários. Vou tentar sistematizar e simplificar ao máximo, se calhar para alguns até demais. Este artigo não foi escrito por nenhum especialista em canários de cor. Lembro que não sou juiz, nem aspirante a juiz e por isso posso cometer algumas imprecisões. Uma das vantagens de colocar o meu trabalho neste fórum é ele poder ser comentado e melhorado com a participação de todos e de ficar disponível para todos.

INTRODUÇÃO

Qualidades de plumagem.

1-Intensiva caracterizada pelas penas curtas e apertadas com uma cor uniforme forte ou intensa.

2-Nevada caracterizada pela plumagem mais volumosa. A cor de fundo é mais pálida ou esbatida. O aspecto da cor base aparece uniformemente polvilhada de farinha.



A cor de fundo ou cor base.

As cores base são: o amarelo, o branco e o vermelho.
O amarelo e o vermelho, são pigmentos solúveis em lípidos (gorduras).
A ausência de pigmento da origem a cor branca.

Distribuição da cor de fundo.

Cor de fundo repartida de maneira uniforme sobre todo o corpo.

As cores de fundo, o amarelo ou o vermelho, podem estar presentes em algumas partes do corpo. Essas zonas são conhecidas por pontos de eleição: face (mascara), sobrancelha, peito, ombro e uropígio. Fora das zonas de eleição a cor de fundo é o branco. Os canários deste tipo são denominados canários mosaico. A aparência dos machos é ligeiramente diferente das fêmeas. Nos machos a máscara é grande, o peito, ombros e uropígio são bem marcados. Nas fêmeas ausência de mascara, apenas esta marcada um traço nas sobrancelhas, peito ligeiramente marcado, ombros e uropígio menos marcados.

Cores melânicas

O canário ancestral além da cor base amarela, possui outros pigmentos nas penas, denominados melaninas. Estes pigmentos são o preto (eumelanina) e o castanho (feomelanina). Se observarmos uma pena tectriz, verificamos no seu eixo temos o preto e na periferia o castanho. No dorso, e nas asas, as estrias castanhas/pretas que aprecem sobre a cor base (amarela) é o aspecto das melaninas na plumagem do canário ancestral. Nos canários domésticos estas melaninas podem ser mais ou menos definidas, devido a uma maior ou menor diluição dos pigmentos preto e/ou castanho.

Resumindo

Quando observarmos a cor de uma ave devemos analisar e tomar em atenção aos seguintes pontos:

Qualidade de plumagem.
Intensiva – penas apertadas aspecto mais esguio da ave.
Nevada - penas mais largas. Ave de aspecto mais volumoso.

Cores

Cores base: amarelo, branco e vermelho.
Distribuição das cores base (amarelo e vermelho): Repartidas de maneira uniforme (p.ex. canários intensivos e canários nevados) ou concentradas em pontos de eleição (canários mosaico).

Cores melânias
Preto e/ou castanho com aspecto de estrias sobrepostas a cor de fundo.


A primeira conclusão quando observarmos um canário de cor é ver se tem ou não cores melânicas. Como é que fazemos?

Observamos se na sua cor tem alguma tonalidade de preto e/ou castanho. Em caso afirmativo o canário é melanico.

Caso contrário iremos encontrar só algumas das as cores base (amarelo, branco e vermelho). Neste caso estamos em presença de um canário lipocromo. Nestes toda a sub plumagem é branca.

Conclusão basicamente podemos dividir os canários de cor em dois grupos: Canários Lipocromicos e Canários Melânicos.



Como é habitual todos os comentários e opiniões serão bem vindas. Afinal estamos num fórum sobre aves a partilha de opiniões e ideias pode levar-nos a outras descobertas.

Cordiais cumprimentos a todos, :)
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Armando Moreira
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Mensagempor Nuno Cymbron » segunda, 24/mar/2008, 16:33

Armando,
Parabéns pela excelente iniciativa e trabalho.

Estas noções básicas são muito importantes e deveriam ser do conhecimento geral, por vezes são esquecidas por aqueles que já têm muito conhecimento disto, e passadas à frente, e discutesse muito pensando sempre que as pessoas todas já dominam esta componente inicial, por isso mais uma vez os meus parabéns.

Penso que se poderia iniciar um tópico, com capitulos separados para cada tipo de plumagem e as suas combinações, e isto constituiria o "ABC da canaricultura do AVESPT", tanto nos canários de cor, como nos de porte, e por aí a fora.

Só uma achega.

Nas melaninas, existem eumelanina negra e eumelanina castanha, as que se situam nos eixos das penas e existe a feomelanina castanha, que se distribui pelo rebordo da pena.

Por exemplo os canários feos (pheos - do inglês pheomelanin), são canários castanhos com o factor ino (olhos vermelhos) até deveriam ser denominados só de inos, mas isso é outra história, e que se caracteriza por eleminar o pigmento negro e as eumelaninas, assim temos uma acumulação de feomelanina nos rebordos das penas, e o eixo das penas fica branco, com os olhos vermelhos temos os feos.

Um próximo passo será descrever as séries melanicas, onde existem série negra e castanha, os oxidados e diluídos que formam o quarteto classico: com negros e àgatas por um lado e castanhos e isabéis por outro, e tudo isto sempre com todas as cores de fundo de que o armando já muito bem falou, todos existem em branco, amarelo (intenso, nevado e mosaico) e vermelho (intenso, nevado e mosaico).

Alguns podem ser cruzados com outros destes, mas há que conhecer bem a genetica de cada ave.

Por exemplo um ágata ino, pode ser produzido e tem olhos vermelhos e uma plumagem exterior com aparencia de lipocromico, (pelas razões escritas atrás), mas tem uma subplumagem escura demonstrando que geneticamente é um passaro melanico.

Cumprimentos

Nuno
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Mensagempor eduardo_garcia » quarta, 26/mar/2008, 11:42

Boas;
Para mimé mesmo um enigma porque tenho muito pouca esperiência em canários...so comecei este ano...mas tenho lido muitos artigos e grandes amigos e grandes criadores destas excelentes aves que me ajudam a perceber como as coisas se desenrolam e como funcionam... :lol:

Cumprimentos; :wink:
Eduardo Garcia
Criador de Canários de Côr e Agapornis

Vários prémios em Nacionais e Internacionais
Camp Mundial França 2011:
Med.Prata Equipa Ágata Onix Amarelo Intenso


http://www.moranguitoedu.blogspot.com/

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eduardo_garcia
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