Pintassilgo, o passado, o presente e o futuro

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Pintassilgo, o passado, o presente e o futuro

Mensagempor Armando Moreira » sexta, 28/nov/2008, 20:52

:D Ola a Todos!


Como sabem em Portugal, não é permitida a criação de aves indígenas vulgarmente conhecidas como aves da fauna europeia. Por outro lado também sabemos que a tradição popular muitas vezes se sobrepõe as leis da Republica, não só por desconhecimento da lei, mas também por razões de aficiom e de crença em outros valores.



A tradição popular Portuguesa.

Nos dias de hoje ainda existem pessoas que capturam aves canoras indígenas, nomeadamente pintassilgos. A verdade é que muitas desconhecem ou ignoram o impacto negativo desta actividade tanto na Natureza como na Sociedade.

O impacto negativo na Natureza é a diminuição da população de aves e o perigo de extinção da espécie em causa. Após a captura e não havendo cuidados muitas destas aves morrem. Geralmente as aves macho capturadas que sobrevivem são usadas para hibridação com canário fêmea, pois o canto dos híbridos são muito apreciados. A maior parte dos indivíduos que se dedicam a captura não acreditam ser possível a criação deste tipo de aves em cativeiro. A maioria nunca o tentou ou julgam que a fonte Natural nunca se esgotará.


As leis da Republica Portuguesa.

As autoridades conscientes da existência da tradição popular, legislaram contra. Muito longe de terem resolvido o problema, apenas conseguiram que ele continuasse de uma forma clandestina. Neste fórum a situação é bem visível e ilustra bem a realidade que legislar contra, sem regulamentar não resolve o problema da detenção e posse deste tipo de ave. O legislador não reconhece o papel positivo da criação de aves indígenas, tanto a nível económico, cultural e desportivo. Confunde criação de aves tipo indígena com depredação de aves indígenas selvagens. O ICNB tem um bom exemplo do trabalho desenvolvido no Brasil, pelo IBAMA na regulamentação e desenvolvimento da criação de aves nativas brasileiras pelos criadores desse pais.


A sociedade civil Portuguesa.

Os grupos ambientalistas, argumentam que a captura e trafico compromete o futuro da população das aves selvagens. Desconhecem ou não reconhecem que existem em cativeiro mais cardinalitos da Venezuela do que na Natureza. O canário selvagem dos Açores e Madeira ainda não esta extinto, apesar de existir a criação domestica dessa espécie. Na Argentina e Austrália foram introduzidos pintassligos (Carduelis carduelis) e que existem populações selvagens desta espécie. Em Portugal existem populações selvagens de aves exóticas como Rouxinóis do Japão e Bicos de Lacre. Afinal a globalização não é só económica ou tecnológica e a teoria da evolução vai muito além das espécies. Desconhecem que para criar aves indígenas em cativeiro sem grandes dificuldades, os reprodutores devem estar adaptados ao ambiente domestico, serem saudáveis estar bem alimentados e tratados. A criação deste tipo de aves permitiu estudar o aparecimento de cores diferentes das cores tradicionais dos indivíduos selvagens. Os criadores fixaram estas cores o que permitiu o aparecimento de novas variedades cromáticas. Por isso os objectivos dos verdadeiros criadores, não é capturar, mas reproduzir aves adaptadas ao ambiente domestico.




Os clubes e Federações Ornitófilos, tem um importante papel cultural, desportivo e cívico.
Culturalmente deveriam fazer a ponte entre a tradição e a modernidade, ou seja deter aves não é defender a sua captura, mas zelar pelo sem bem estar. Proporcionar as melhores condições para a sua reprodução.
Desportivamente, conhecer os standard, e saber seleccionar os reprodutores com o objectivo de exibir as aves novas e anilhadas em provas desportivas. As aves selvagens capturadas não estão anilhadas e dificilmente se reproduzem em cativeiro, por isso desportivamente são aves sem interesse.
Civismo na criação desportiva seria defender os criadores de aves indígenas domesticadas, como alternativa a detenção e posse de aves capturadas. Um criador desportivo devidamente registado seria uma garantia de disponibilizar aves indígenas não capturadas, devidamente anilhadas.



Na actualidade, em Portugal a criação de aves indígenas não esta Regulamentada pelo estado, nem é defendida pelas instituições da sociedade civil. No entanto como todos constatamos neste fórum existem pessoas interessadas na criação destas aves, basta ver o numero de vistos, nas mensagens onde o tema é Pintassilgos. Pelas questões levantadas, parece-me que muitos querem abandonar a tradição e se converter a criação. Os clubes e federações ornitófilas, deveriam assumir as suas responsabilidades cívicas como representantes dos criadores e defender junto do Estado a aprovação de leis e Regulamentos que permitam a criação de aves indígenas de um modo reconhecido e responsável.


Em 2010 quem vai representar os criadores portugueses de aves indígenas domesticas da fauna europeia?


Fico triste quando confundem um criador desportivo de aves de fauna europeia, com a tradição. Pois no primeiro caso o objectivo é a reprodução e exposição de aves dando-lhes as melhores condições. Enquanto que na tradição apenas se concentra na captura.

Sobre a legalização/regulamentação ouvi muitas promessas nos colóquios de dirigentes, mas o que é certo não vislumbro avanços.


Não seria bom haver nos clubes ornitófilos desportivos, outros criadores para além dos criadores de canários?

Penso que quando for publicada regulamentação, os clubes ornitófilos poderão ter um papel activo e responsável na mudança da tradição para a modernidade. Só assim é que a sociedade civil poderá valorizar o papel dos clubes ornitófilos desportivos.

AS exposições terão mais um motivo de interesse para cativar novos praticantes para a ornitofilia desportiva.

Quando é que vai chegar o futuro?


Cumprimentos a todos, :)
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Armando Moreira
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Mensagempor julio moreira » sexta, 28/nov/2008, 23:09

Boas eu quero deixar aqui uma pergunta :

Entao o que vai acontecer aos belissimos exemplares de fauna europeia no campionato em2010 ficao na rua?
que raio de lei e esta pois gostaria de obeter um casal de pintassilgos Mayjor em espanha mas estou com medo por 2as razoes:
ser mandado parar pela GNR e ficar com o carro aprendido por transporte de aves proibidas:
ou ter problemas com autoridades do ICN por posse de aves ilegais afinal em que e que ficamos :roll: :roll: :roll:
julio moreira
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Mensagempor lizard » sábado, 29/nov/2008, 00:50

Ora viva! :D

Nos clubes já há muito tempo que existem pessoas a criar aves de fauna europeia. Mas como todos sabemos nas anilhas oficiais está lá escrito o nosso "nome", muito facilmente as autoridades apanhando uma ave com anilha oficial chegam ao criador, logo tem-se usado as anilhas não oficiais, infelizmente...
Caro Julio se comprar os pintassilgos será mais um entre dezenas a criar pintassilgos, o seu maior problema será uma acusa...
Mas venham os pintas para portugal que seram muito bem recebidos. 8)
Quando olhar vem para o lado vai ver que não está só...

Cumprimentos

Adalberto Ferreira
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Mensagempor João Pedro » terça, 13/jan/2009, 23:35

Pois é pessoal neste momento acredito q haja umas boas dezenas de pssoas a correrem o risco de serem apanhadas com os passaros nas gaiolas, amigo fazer um investimento para criar fauna custa ao bollso, e as pessoas arriscam...sabe.se q um dia a maldita da lei vai ser diferente
e nós aí sim poderemos mostrar a todos o nosso envestimento!

o lema tem q ser qem n arrisca n petisca!

Boa sorte com os majores, vai ver q vai gostar de viver com estas aves

abraço
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João Pedro
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