Consanguinidade - Mau ou Bom?

Todas as questões relacionadas com a genética das aves, mutações, cruzamentos, etc.

Consanguinidade - Mau ou Bom?

Mensagempor imlovinit » domingo, 07/ago/2016, 16:12

Boa tarde,

De entre foruns que leio, artigos espalhados pela internet, etc., muitos utilizadores referem que a consanguinidade é má, que para além de reforçar as características boas que queremos obter, vai também reforçar em muito os defeitos genéticos dos pais.

Vi recentemente um artigo muito interessante em que o autor defende que a consanguinidade, quando bem estruturada pelos criadores, de forma a seleccionar sempre os melhores progenitores, que não tenham defeito algum e que apresentem saúde, não é prejudicial.
Aliás, defende que se os progenitores forem consanguíneos, conseguem tirar crias por vezes mais saudáveis, com taxas de fertilidade maiores, que com exocruzamentos (cruzamento entre dois progenitores não consanguíneos).

Refere ainda, que se bem escolhidos, ao invés de obter crias fracas e mais pequenas que o normal, obtêm-se crias mais robustas.

Fica aqui a minha dúvida, eu que sempre defendi os exocruzamentos e que sempre evitei a consanguinidade.
Será que realmente conseguimos reforçar as características das aves e ainda reforçar a sua saúde (ao invés de serem aves doentes) com a consanguinidade?

Ao tentar criar aves consanguíneas, trás implicações com Cites?
Podemos dizer que são filhos de pais consanguíneos nos certificados?

Gostava de ter mais opiniões de utilizadores experientes.
imlovinit
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Re: Consanguinidade - Mau ou Bom?

Mensagempor borllock » domingo, 07/ago/2016, 18:19

A consanguinidade na minha opinião é como uma faca de 2 gumes, se bem feita tem sempre coisas boas e coisas más, podemos é nem sempre ver as coisas más e pensarmos que a ave por exteriormente parecer robusta não tem defeitos, o que não é verdade, consanguinidade origina sempre aves com uma diversidade genética mais baixa. Tem de se pesar sempre os pós e os contras ao fazer, ver os objectivos que queremos alcançar e não podemos esquecer que não e uma ciência exacta, pode num casal resultar noutro já não, na casa do vizinho funcionar e na nossa não, ec
Em relação aos CITES não tem influência nenhuma, nada proíbe que os pais sejam consanguíneos.
Cumprimentos,
José Jesus

Porto - Penafiel

Visitem: https://placeofbirds.wordpress.com/
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Re: Consanguinidade - Mau ou Bom

Mensagempor AndréT » domingo, 07/ago/2016, 19:34

Boa tarde,
Embora não seja um participante ativo do forum, sou um leitor assiduo e como aspirante a bioquimico não poderia deixar de comentar este tópico :lol: :lol: :lol:
A consanguinidade é um tema um pouco complexo e que não pode ser abordado de forma leviana e tal como o borllock disse é como uma faca de dois gumes...
Habitualmente a genética é utilizada entre criadores como uma ferramenta que permite uma distinçao mais ou menos viavel sobre a avaliação de um dado individuo (passaro) em relaçao ao seu fenotipo (com isto quero dizer uma distincao entre as diversas mutaçoes por observacao de determinadas caracteristicas visiveis como cor das patas, penas, olhos, ... ).
De facto, normalmente diz-se que o fenotipo resulta de um determinado genotipo o que é correto... Contudo os genes expressam muito mais do que estas caracteristicas visiveis por um criador ou amante de passaros (neste caso especifico). Os genes codificantes originam, como produto, pós transcricao e traducao, proteinas e muitas destas proteinas tem um papel nao visivel ao nosso olho como é o caso dos enzimas.
Tomando o exemplo dos enzimas estes, se sofrerem uma mutacao genomica, podem, por exemplo, tornar-se com maior ou menor afinidade para um dado substrato catalisado por eles. Agora vamos supor que temos um casal consanguineo em que ambos os individuos tem um dado enzima com uma mutacao genomica que o torna com menos afinidade para um dado substrato isso vai ser transmitido à geracao seguinte e estamos a criar por ai em diante geracoes com esta mutacao no enzima... A longo prazo estamos a aprimorar uma caracteristica indesejavel e um quanto ou muito perigosa para as geracoes futuras pois podemos estar a suscitar reacoes alergicas entre outras patologias que poderam diminuir a qualidade e o tempo de vida das nossas aves...
Com isto quero só alertar que a genetica nao se prende só num conjunto de genes que influencia a nivel visual as nossas aves mas é sim o código onde esta reunida TODA a informaçao que é expressa sob forma de proteinas pelo individuo influenciando assim: enzimas, fatores de transcriçao, resposta hormonal e portanto,todas as vias metabolicas dos seres.
Ao nao introduzirmos "sangue novo " a uma linhagem (ainda que seletivamente escolhida atraves das suas caracteristicas VISUAIS ) podemos estar a limitar e a influenciar negativamente outras biomoleculas que nao se expressao de forma a que os seres humanos detetem visualmente, no limite podemos estar a produzir "clones" com doenças ( por exemplo doencas hepaticas, articulares, ...).
Ao introduzirmos sangue novo ao longo das varias geracoes embora o descrito em cima possa igualmente acontecer é menos provavel ja que havera uma maior variabilidade genetica


Tambem nao me quis aprofundar muito no meu discurso mas de forma geral acho que se pode dizer que no caso das aves ,assim como na maior parte dos organismos, as aparencias podem iludir e por vezes não levar à obtençao de exemplares mais saudaveis ainda que fisicamente tenham melhores caracteristicas
AndréT
 
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