Leote Paixão
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Uma ornitologia para o século XXI

domingo, 29/mai/2011, 02:21

MANIFESTO PARA UMA MUDANÇA NA ORNITOLOGIA NACIONAL

Durante largos anos temos lançado um olhar aprofundado à ornitologia nacional, acompanhados nesta reflexão por um cada vez maior conjunto de criadores, nas suas mais variadas vertentes, e juízes, o que torna possível trazer agora, em partilha, um novo projecto para a ornitologia nacional.

ANÁLISE DA SITUAÇÃO EXISTENTE
Aquando do surgimento, em 2009, da nossa federação mais recente, a FOP(CD) – Federação Ornitológica Portuguesa Cultural e Desportiva, tivemos oportunidade de apresentar um projecto, através de um elemento dessa federação, para ser discutido antes do aparecimento da mesma. A posteriori, em reunião havida num restaurante da capital, foi-nos referido que o projecto nem chegou a ser discutido, por manifesta falta de tempo, i.e., tinha chegado tarde.

Volvidos que estão dois anos sobre a criação desta Federação, o tempo acabou por mostrar que tínhamos razão e que o projecto da FOP foi, e é, a continuação do «status quo», onde somente se verifica a manutenção dos «serviços mínimos», destinados a manter as «hostes» minimamente agradadas, mas onde nada muda, pois ao projecto desta federação:

:arrow: Falta-lhe consistência: um projecto deste tipo tem de ser executado de raiz e não «repescando» projectos já desaparecidos e, logicamente, desenquadrados da realidade actualmente existente.

:arrow: Falta-lhe legalidade: efectivamente a FOP(CD) não se encontra (até prova em contrário), aliás nunca se encontrou, registada legalmente como federação, ou como qualquer outra entidade, junto do RNPC (Registo Nacional de Pessoas Colectivas) e como tal não tem número de contribuinte. Em abono da verdade diga-se, que nem mesmo a antiga FOP se encontra já registada. Tal situação feriu, e fere, de grave e profunda ilegalidade todos os actos praticados até hoje (com movimentação de verbas monetárias e serviços administrativos ao que tudo parece apontar, à margem da lei, a menos que haja confirmação clara do contrário) e, a serem autênticas todas as informações disponíveis, pode mesmo roçar eventualmente a esfera criminal. E é importante explicar, publicamente, como foi possível a uma Federação movimentar verbas e desenvolver actividades, sem ter existência legal? Quem autorizou? A quem foi apresentada a declaração obrigatória de início de actividade? A quem foi pedida a isenção de IVA, ou a quem foi este liquidado? Em nome de quem são pagas as verbas e quem paga as despesas? É que, não existindo legalmente, como parece ser o caso (o que convirá ressaltar) não há possibilidade de a Federação poder ter uma conta bancária para movimentação de verbas em seu nome.

:arrow: Falta-lhe projecto de inovação e futuro: um projecto de inovação e futuro, tem de ter em linha de conta as realidades actuais e as futuras e não pode estar anquilosado no passado. Não se renova, na continuidade e a cristalização impede-nos de ter uma visão rasgada do futuro e de, sobretudo, compreender eficazmente o presente.

PERSPECTIVANDO O FUTURO
Volvidos que estão dois anos sobre a criação da nossa Federação mais recente é claramente notória a sua inoperância e subalternização a uma outra entidade.

Por outro lado, estamos também plenamente conscientes de como é difícil trabalhar no campo da ornitologia portuguesa, nas suas variadas cambiantes, onde muitos são rápidos a criticar destrutivamente e lentos a ajudar. Porém, o desistir e o baixar dos braços nunca pode ser a solução.

É preciso apostar na formação, num projecto completamente inovador e desligado do desfile de vaidades, mas apostado na defesa de todos os criadores e juízes, por igual; apostado na dignificação clara e igualitária de todas as secções e classes; apostado na criação de uma verdadeira estrutura profissional no domínio da ornitologia, que aposte nos criadores e numa autêntica política de formação e reciclagem de juízes.

Para tanto precisamos de uma Federação que exista de facto, porque é justo que a cada um dos criadores seja dada a possibilidade de escolher a Federação que pela sua democracia interna; pelos seus estatutos e regulamentos; pela organização de feiras, exposições e concursos, está mais de acordo com aquilo que os criadores defendem ser a ornitologia científica, conservacionista e desportiva.

A verdade é que a fraqueza da nossa ornitologia, nas suas variadas cambiantes, sempre teve origem em situações de monopólio absoluto, ou da sua tentativa, que pretendem determinar e impor uma determinada visão, tantas vezes cristalizada, retrógrada e passadista, da política ornitológica portuguesa. Ora tal situação jamais pode ser aceitável, do ponto de vista democrático, mas legitimada porque passivamente aceite por muitos.

Não estamos de acordo com este estado de coisas e este projecto aparece precisamente para o demonstrar, sendo que o nosso crescimento somente depende dos muitos criadores, clubes e associações que nos darão a força necessária para afirmarmos um princípio são de pluralidade.

Acreditamos que a vontade de todos, na defesa dos justos interesses dos criadores nacionais, nos tornará mais credíveis e um interlocutor privilegiado no diálogo com as instituições do Estado, em particular com a entidade reguladora, mas também junto das instâncias ornitológicas internacionais.

Defendemos convictamente que os criadores devem ter a sua actividade devidamente protegida e enquadrada e, por isso, nos bateremos de forma viva e determinada na defesa dos seus justos interesses, junto do Estado e de outras instituições.

Estamos em condições de organizar feiras, exposições e campeonatos locais, regionais e nacionais; temos um estatuto que encara os criadores como membros da Federação e não, como em outros estatutos, só os presidentes dos clubes/associações. Queremos construir uma forma profissional de se aceder à função de juiz. Temos uma visão particular do que devem ser as actividades (colóquios, cursos de formação, congressos, feiras, exposições e concursos), onde as aves e o seu bem-estar têm de ser a nossa preocupação primeira e última.

Partimos da premissa básica de que é necessário ajudar os criadores a crescer, a compreender, a aprender, por isso faremos uma aposta forte na formação.

Não aceitamos a lógica de confrontação e até mesmo a lógica da guerra entre clubes/associações, mas apenas da colaboração e pretendemos chamar a nós todos os criadores, clubes, associações e juízes que desejem apostar numa mudança efectiva na ornitologia portuguesa, que vá mais além do que concursos, taças e anilhas e que aposte na formação e na dignificação da actividade de criadores e juízes de ornitologia desportiva, com a certeza de que ninguém ficará inibido de participar em nenhuma actividade nacional ou internacional.

É nossa firme intenção que estas linhas orientadoras não se apliquem somente a uma eventual futura Federação, mas também a todos os clubes/associações que dela farão parte, que não estão em competição com outros clubes/associações de qualquer outra federação, mas antes com um espírito aberto de ajuda e colaboração, de modo a podermos ser uma força única, na diversidade, respeitando as especificidades e as diferenças próprias de cada um.

Estamos dispostos a colaborar com todas as instituições ornitológicas para uma defesa concertada dos justos interesses dos criadores nacionais, contribuindo com as nossas ideias, opiniões e soluções.

Acreditamos na pluralidade com força, porque esta é o princípio fundamental do respeito das ideias e das pessoas, por isso, não questionamos ninguém, antes convocamos todos os que acreditam que é possível e, acima de tudo, imperioso mudar!

Sabemos que o trabalho é difícil e exigente, mas estamos abertos, como já referimos, ao trabalho sério e empenhado com todos: criadores, clubes, associações e juízes, pois queremos ser, pelo nosso trabalho, uma Federação que se afirma pela diferença de projecto e inovação na metodologia de trabalho e que somente avançará se tiver o apoio claro e inequívoco de uma parte significativa dos clubes, associações, juízes e criadores de Portugal. Na ausência desse apoio, com a humildade com que apresentamos o projecto, também o retiraremos ficando então a assistir a mais uns anos do já costumeiro rol infindável de queixas...

Este projecto deverá ainda ser objecto de apresentação pública, para onde serão convidados os criadores, clubes, associações e juízes. Contudo, pode saber já mais sobre nós indo a: http://feacop.pt.vu

FEACOP - Federação das Associações e Clubes Ornitológicos de Portugal
Movimento de criadores, clubes e associações para uma nova ornitologia portuguesa
Última edição por Leote Paixão em segunda, 30/mai/2011, 00:27, editado 1 vez no total.

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rnsilva
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Re: Uma ornitologia para o século XXI

domingo, 29/mai/2011, 10:42

Caro Leote,

Denota-se a preparação cuidada deste projecto, que pelo aspecto e conteúdo, apresenta já alguma solidez. No entanto, e apesar de mencionar muitas verdades, na minha modesta opinião, a tendência deveria de ser a união e não aumentar a fragmentação. Isso já foi discutido vezes sem contas e até já houve uma petição por uma federação única. Continuo a acreditar que só inovamos quando vier existir essa fusão, que permitirá reunir não só forças, como também ideias do tipo que apresenta neste momento.

Sabemos que mesmo não vivendo num pais divido em regiões autonomas, como em Espanha, somos bastante "regionalistas", o que cria por vezes alguns entraves à união. Mas se em países como o vizinho e outros, bastante maiores em área e população, constituidos por regiões bastante mais distintas culturalmente, conseguem-se organizar em torno de uma só federação, porque é que nós que somos bem mais pequenos e semelhantes não o conseguimos e procuramos sempre uma alternativa?

Cumprimentos,

Ricardo Mendão Silva
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João Samuel
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Re: Uma ornitologia para o século XXI

domingo, 29/mai/2011, 12:45

Estou totalmente de acordo que isto tem de dar uma volta... Tem de mudar. Mas tal com o Ricardo diz, penso que o melhor seria mudar no sentido da união, no entanto, o projecto parece-me bastante bom, agora se avançar, é esperar que não aconteça como tem acontecido com os outros!

Sr. Leote, sei que está bastante por dentro da nossa ornitologia, e parece-me interessado em avançar para a frente com isso, se for mesmo o caso, da minha parte, desejo-lhe sorte e espero que a criação duma nova federação não "complique" mais as coisas cá pelo nosso pequeno Portugal. :)
Samuel
http://avesdosamuel.blogspot.com --> Visitem (novas fotos e informações)

astavares
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Re: Uma ornitologia para o século XXI

domingo, 29/mai/2011, 13:20

Olá boa tarde,

É interessante verificar que os fóruns de um modo geral, para certas instituições, só servem para "arrebanhar" seguidores, por mais viáveis e credíveis que sejam os argumentos brandidos pelos intervenientes, pois quando são os criadores a virem para os fóruns manifestar as suas opiniões regra geral ficam sem respostas.

O texto apresentado, vê-se, foi minuciosamente pensado e elaborado, passando sem dúvida uma "imagem" de credibilidade, mas...

Já começo a desconfiar do nascimento de novas Federações, Associações e outras que tais.

Depreendo que o último Campeonato Ornitológico Nacional não deve ter qualquer valor pois, segundo o que li e penso não ter interpretado mal, foi realizado por uma "Federação" que não existe!!! Talvez agora se compreenda a (des)organização existente sem um pedido formal de desculpas para os que foram lesados

Há pessoas, a Norte e a Sul, que trabalham bem e com provas dadas, porque não aproveitar o que está bem e dar seguimento unindo-se a essas pessoas e trazendo as tais inovações? Outra Federação?!! Para quê?

Qual o interesse de mais uma Federação?

Que dividendos se colhem como dirigente de uma Federação, para forçar a existência de mais que uma num país tão pequeno? Não seria mais curial a união de todos em prol do mesmo objetivo?

Se para se encontrar pessoas para as direções dos clubes é uma dor de cabeça porque carga de água é que nunca faltam "carolas" para novas Federações e afins? Não dá um bocado que pensar, sabendo da canseira e responsabilidade envolvidas é que não se está a falar de um simples clube?

Não ponho em causa a idoneidade das pessoas que fazem parte ou vão fazer parte destas instituições, mas que dá que pensar... dá!

Repito não é objetivo deste texto ofender ninguém e tão pouco por em causa a idoneidade dos envolvidos, mas limito-me a transmitir para aqui o meu pensamento que, certamente, será o mesmo de outros criadores que preferem não se manifestar, aliás, posição que na maioria dos casos que aqui, e não só, aparecem tomo.

Saudações ornitófilas.

Armindo Tavares.
Criador de: Canários Arlequim Português
http://www.canariosarlequimportugues.blogspot.com/

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Luis Grencho
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Re: Uma ornitologia para o século XXI

domingo, 29/mai/2011, 16:15

Boas.
Na minha opinião (que penso que é mais ou menos a dos intervenientes ja aqui expressa)e que será a de muitos criadores, o normal a vontade seria a de haver uma só Federação, em concenso, que funcione, etc, etc, mas como tambem muitos sabemos e temos constatado, é que mudando, criando, alterando, unindo, desunindo, etc, etc Federações, o panorama pouco ou nada tem mudado em muitas coisas, é dificil, é trabalhoso, etc, mas isso é em tudo na vida, agora tambem andar em banho maria e deixar andar sempre na mesma, tambem não é um cenário bem nem normal.
Estive a vêr o projecto, e na verdade as ideias bases, a extrutara vai de encontro a muitas coisas que tem faltado ou falhado, ou que nem se mexe anos atras de anos, este projecto tal como apresentado, penso que seria bom para muita coisa, funciona?, vai funcionar?, vai para a frente?, depende de quem o fez e depende de quem o queira seguir e "arriscar" a mudança que pode ser para pior, para igual, mas tambem pode sêr para melhor, sem exprimentar algo e que nunca se muda nem evolui.
Não tem nada a vêr, mas temos por exemplo o Magazine Ornitologico, muita gente que descredibilizou, muita gente olhou de lado, desconfiou por estar farto de outras ideias que falharam ou não andaram, de sêr enganado, mas o certo é que arrancou, a inovação e o trabalho serio trás sempre frutos, e alguem teve de dar o primeiro passo, e o certo é que com mais ou menos erros, com mais ou menos isto e aquilo, com mais ou menos criticas (fazem parte da evolução), o projecto andou e vai crescendo baseado na mudança, na vontade de fazêr melhor, etc, etc, para havêr mudanças por vezes tem de havêr "guerras" e quebras com o passado que por vezes se apresenta mais comodo...... mas que tras poucos frutos.
Cumprimentos.

Luis Grencho

Criação Agapornis Roseicollis
STAM BZ081

http://rosibird.webnode.com.pt/

Pablo Neruda
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Re: Uma ornitologia para o século XXI

terça, 27/dez/2011, 19:21

Caros

Foi-me dito atravez do "diz que disse" que uma determinada ave rara, está agora no lugar onde sempre devia de estar, ou seja, atrás das grades...

Engraçado é que esta mesmo ave rara, apontava aos outros Falta de legalidade... enfim... e ainda dizem que neste País não existe justiça...

E esta em...

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